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Olhares na capital do Amazonas

Olhares na capital do Amazonas

Raquel P. Silveira Capaz

Poucos dias antes das notícias sobre a pandemia COVID-19, vinte anos após a conclusão de minha graduação em Ciências Biológicas, tive a honra e o prazer de visitar Manaus, a capital do Amazonas. Em uma breve semana, foi possível explorar um pouco da sociobiodiversidade local, vivenciar o Sítio PANC e saborear receitas locais em feiras e em ótimos restaurantes, os quais vem explorando os sabores e a riqueza existente na região.

Não é à toa que inicio falando da pandemia, pois se esta viagem fosse poucos dias depois, não aconteceria do modo que foi. Caminhamos alguns dias explorando as feiras e mercados locais como a Feira Panair, a Feira Manaus Moderna, a Feira do SEPROR, a Feira da banana e o Mercado Adolfo Lisboa. Degustamos também algumas plantas, sendo uma bastante comum e consumida naquele momento, em fevereiro de 2020, a tucumã.  Nativa da Amazônia, esta espécie (Astrocaryum aculeatum) possui frutos com polpa grudenta e fibrosa, rica em vitamina A (90 vezes mais que o abacate e 3 vezes mais que a cenoura), altos teores de vitamina B e C. Possui também alto valor energético.

Como receita recomendada nas feiras estava o simples X-caboquinho, sanduíche de pão francês com lascas de tucumã e queijo coalho, realmente uma combinação saborosa. Independente de conhecer todos os seus benefícios, as populações amazônicas estão bem beneficiadas pelo suprimento vitamínico do tucumã, além de tantas outras exploradas em comunidades, comercializadas nos mercados locais e regionais, mas ainda pouco conhecidas nas outras regiões do Brasil.

 

Falar de 20 anos de formatura em Ciências Biológicas também foi marcante nesta viagem, pois fomos ao Sítio PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), propriedade de Valdely Kinupp, com quem estudei e aprendi muito na Universidade Estadual de Londrina. Valdely já era excelente em identificação botânica desde a graduação, sem falar em sua motivação e proatividade em aprender e ensinar. É inevitável falar em PANC e não falar de Valdely, que vem explorando, pesquisando, cultivando, degustando, cozinhando e divulgando o uso de plantas não comuns e que não fazem parte do dia a dia da grande maioria da população de uma região, de uma país ou mesmo de um planeta. Vivenciar alguns dias no Sítio PANC foi formidável, pois ali se aplicam práticas agroecológicas e regenerativas que visualmente destacam o sítio das propriedades vizinhas.

A transformação do solo através do aproveitamento de materiais que seriam descartados (restos de açaí, restos de peixarias e tantos outros) são lá aproveitados em uma força-tarefa de aumentar a biodiversidade do solo e do sítio como um todo, regenerando aquele ambiente com o manejo sustentável e o consumo saudável. O aproveitamento e uso dos recursos de  uma forma sustentável é rotina no Sítio PANC, onde é possível saborear ovos de pato no café da manhã e todas as suas partes no almoço e no jantar, somados a uma salada de celósia, chaya refogada (similar à couve), flores de jambo, entre outras.

 

 

Vivência no Sítio PANC, conhecendo e consumindo produtos da Biodiversidade local

(Luciana Cunha, Valdely Kinupp e Raquel Silveira Capaz)

Além das feiras na cidade e da vivência no Sítio PANC, foi oportuno conhecer também o Museu da Amazônia (Musa), um museu vivo a céu aberto localizado em um segmento da Reserva Florestal Adolpho Ducke. No Musa há uma torre de 42 metros, com 242 degraus, que possibilitam a ida de pessoas ao dossel das árvores, trazendo sensações bastante agradáveis de integração na floresta, especialmente a temperatura amena e os odores característicos, além do visual e da possibilidade de ouvir os pássaros.

 

Torre no Museu da Amazônia

 

vista Torre no Museu da Amazônia

 

Manaus é repleta de belezas e também de contradições (com lados extremamente carentes). Contudo, divulgar algumas de suas belezas foi meu objetivo aqui. Com a sociobiodiversidade existente no Brasil e com recursos bem aproveitados, é possível evoluir sempre em busca de desenvolvimento sustentável. A quem lê este artigo, recomendo visitar estes locais e buscar formas de viver de forma sustentável, regenerando o ambiente em que vive, aproveitando os recursos, aprendendo e divulgando.

 

vitória régia no Museu da Amazônia

 

Para maiores informações, visite:

https://www.valdelykinupp.com.br/links

http://museudaamazonia.org.br/

 

Raquel P. Silveira Capaz é bióloga, mestre em Horticultura pela Unesp e atua como Gerente Técnica junto à empresa Brazbio.